Os primeiros frades franciscanos chegaram ao Rio de Janeiro em 1592, instalando-se provisoriamente nas proximidades da Praia de Santa Luzia. Somente em 1607 a Ordem recebeu a posse definitiva de uma colina próxima ao centro da cidade, hoje conhecida como Morro de Santo Antônio, onde, em 4 de junho de 1608, teve início a construção do convento que se tornaria a mais antiga casa franciscana em atividade contínua no Rio de Janeiro. A primeira missa foi celebrada em 7 de fevereiro de 1615, ainda com a igreja em obras, e o conjunto conventual somente foi concluído em 1620, sob a orientação do frade arquiteto Francisco dos Santos, um dos vários religiosos franciscanos que ao longo dos anos interferiram no projeto original.

O interior da igreja conventual é de traçado simples, com nave única de planta retangular, discrição que contrasta com a riqueza da capela-mor e dos altares laterais, revestidos de talha dourada executada entre 1716 e 1719, já em pleno período joanino. Merece destaque especial a sacristia, erguida por volta de 1714, onde painéis de azulejos portugueses convivem com mosaicos de mármore e com um armário de jacarandá assinado pelo entalhador Manuel Alves Setúbal em 1745, uma das raras peças de mobiliário colonial brasileiro com autoria documentada. Entre 1748 e 1780, o convento recebeu um segundo pavimento, ampliação que permitiu abrigar um número maior de religiosos franciscanos.

Poucos templos no Brasil ilustram tão bem a intensidade da devoção popular a um santo quanto o Convento de Santo Antônio. Em razão de sucessivas graças atribuídas à sua intercessão, a imagem do santo recebeu, ao longo do período colonial e imperial, patentes militares honoríficas: capitão em 1710, sargento-mor em 1810 e tenente-coronel em 1813, com soldo pago pelos cofres públicos até 1911. O episódio, hoje conservado como curiosidade histórica, revela o quanto a fé em Santo Antônio esteve entrelaçada à vida civil e militar da cidade. O convento também guarda, em mausoléu construído em 1937, os restos mortais de diversos membros da família imperial brasileira, incluindo filhos de Dom Pedro I e de Dom Pedro II, reforçando os laços entre a Casa de Bragança e a Ordem Franciscana no Brasil.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Convento de Santo Antônio permanece hoje sob a responsabilidade da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, mantendo viva, em plena comunhão com a Igreja Católica Apostólica Romana e com o Papa, a tradição franciscana de simplicidade e proximidade com o povo que os frades trouxeram ao Rio de Janeiro há mais de quatro séculos. A igreja permanece aberta à celebração dos sacramentos e recebe diariamente fiéis devotos de Santo Antônio, que ali renovam uma das devoções mais populares e mais antigas do catolicismo brasileiro.
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