A história de Santo Onofre chega até nós principalmente através do relato de São Pafnúcio, monge egípcio do século IV que, buscando aprender mais sobre a vida dos eremitas do deserto, teria encontrado Onofre já bastante idoso, vivendo havia décadas em completa solidão numa região desértica do Egito, longe de qualquer contato humano.
Segundo o relato, Onofre contou a Pafnúcio que havia sido monge num mosteiro comunitário no início da vida religiosa, mas sentiu o chamado de Deus para uma solidão ainda mais profunda, retirando-se sozinho ao deserto, onde viveu por cerca de sessenta anos alimentando-se apenas de tâmaras de uma palmeira e da água de uma pequena fonte, com as roupas já completamente desfeitas pelo tempo, coberto apenas pelos próprios cabelos e barba crescidos.
Onofre teria dito a Pafnúcio: "Um anjo do Senhor sempre me visita e me leva a comunhão."
Pouco depois desse encontro, Onofre faleceu na presença de Pafnúcio, que o sepultou no próprio deserto e, ao retornar ao mosteiro, relatou por escrito tudo o que havia testemunhado, preservando assim a memória desse eremita para as gerações seguintes. Esse relato se tornou uma das narrativas mais influentes da espiritualidade monástica do deserto, gênero literário que moldou profundamente a tradição contemplativa cristã.
Apesar dos poucos dados históricos verificáveis sobre sua vida, a devoção a Santo Onofre se espalhou amplamente pela Europa medieval e, mais tarde, pelo Brasil colonial, onde é lembrado com muito carinho popular, sendo invocado por quem busca força para suportar dificuldades e provações extremas. Sua figura, sempre representada nu e coberto de cabelos, lembra o valor da vida interior mesmo despida de tudo o que é externo. Sua festa é celebrada em 12 de junho.
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